Hub de Biometano: Orizon inaugura planta de R$ 258 milhões em PE e anuncia expansão no Nordeste
Orizon investe R$ 258 milhões em hub estratégico de biometano em PE
Com chancela da ANP e impulsionada pela lei do Combustível do Futuro, nova planta conecta infraestrutura energética à descarbonização no Nordeste.
O mercado brasileiro de combustíveis renováveis acaba de dar um salto significativo em escala industrial. A Orizon inaugurou sua mais nova planta de biometano no Ecoparque Jaboatão, na Região Metropolitana do Recife. O ativo, que demandou R$ 258 milhões em investimentos (financiados em grande parte pelo Banco do Nordeste), posiciona Pernambuco na vanguarda da transição energética nacional.
A tecnologia implementada transforma um passivo ambiental em energia limpa: o biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos é capturado e purificado. O resultado é um biometano com características idênticas às do gás natural de origem fóssil, podendo ser utilizado na infraestrutura existente sem necessidade de adaptações, reduzindo drasticamente as emissões de gases poluentes.
A Escala da Operação Logística
Os números de bastidores impressionam: o Ecoparque Jaboatão possui uma área de 1,1 milhão de m² e recebe diariamente mais de 550 caminhões. O biogás provém da decomposição de 3,5 mil toneladas de resíduos gerados por 2,5 milhões de habitantes da região. Essa biomassa garante um fornecimento contínuo de combustível limpo, sem sazonalidade, ideal para frotas de transporte pesado e operações industriais.

Nova planta da Orizon em Jaboatão dos Guararapes transforma resíduos sólidos em combustível 100% renovável.
Ramp-up Produtivo e Integração Logística
O grande diferencial estratégico desta planta é a sua conectividade imediata com o mercado. O biometano produzido é injetado diretamente na rede da Copergás (Companhia Pernambucana de Gás), que investiu R$ 25 milhões para levar a malha de gasodutos até a fábrica. A Orizon estruturou um cronograma agressivo de ramp-up para a operação:
- Fase Atual: Injeção inicial de 70 mil a 80 mil m³ por dia.
- Curto Prazo (2 meses): Alcance de 100 mil a 110 mil m³/dia, representando cerca de 5% de todo o gás distribuído pela Copergás.
- Médio Prazo (1 a 2 anos): Abertura de novos poços de captação para elevar o volume para 130 mil m³/dia, com a meta final de atingir 150 mil m³ diários.
Maior UTM da América Latina
O ecoparque faz a triagem mecanizada de mais de 20 tipos de materiais, garantindo rastreabilidade e produzindo CDR (combustível derivado de resíduos) para a indústria.
Geração Termelétrica
A operação já conta com uma usina de 28,5 MW que transforma biogás em energia elétrica, gerando créditos de carbono ao evitar a emissão de metano.
Expansão via Liquefação
A Orizon estuda a implantação de sistemas de liquefação no local para conseguir atender clientes industriais localizados fora da malha atual de gasodutos.
O Impacto do "Combustível do Futuro"
A nova unidade entra em operação totalmente chancelada, tendo recebido em 2025 as autorizações operacionais e comerciais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além disso, o projeto ganha tração extra com os recentes marcos regulatórios brasileiros.
A sanção da lei do Combustível do Futuro estabelece a adição de até 10% de biometano ao gás natural canalizado, criando uma demanda compulsória e robusta para o setor. "Leis como o combustível do futuro são importantes porque criam a demanda pelo biometano. O mercado é que vai dizer quando isso vai ocorrer", destacou Renato Dutra, secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Com 17.000 m², a planta faz parte do complexo da Orizon, que recebe os resíduos da região e é onde é feita a gestão correta dos resíduos e sua transformação em biometano. Foto: Igor Vilaça/Secom-PE.
Próximos Passos: O Nordeste no Centro da Estratégia
A unidade em Jaboatão é a pedra fundamental de um projeto de expansão massivo. O CEO da Orizon, Milton Pilão, confirmou que a companhia, que já possui 18 ecoparques no país e tem capital aberto na B3, construirá mais três fábricas de biometano no Nordeste nos próximos dois anos.
As novas plantas aproveitarão a infraestrutura dos aterros da empresa em Maceió (AL), Aracaju (SE) e João Pessoa (PB). A estimativa é de aportes de R$ 150 milhões por unidade, injetando cerca de R$ 450 milhões adicionais na região.
Um Marco para a Descarbonização Industrial
"Aumentamos a produção de biometano com confiabilidade, previsibilidade e capacidade industrial. A solução permite que nossos clientes avancem em suas metas de descarbonização com integridade ambiental e eficiência operacional, sem abrir mão de desempenho", conclui Pilão.
Fontes: Informações estruturadas a partir de publicações dos portais Folha de Pernambuco e Jornal DR1.
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